É possível viver com salário mínimo na Inglaterra?

Na Inglaterra e restante do Reino Unido, a remuneração é paga por hora trabalhada.  Todo ano por volta do mês de Abril, o salário mínimo, chamado de National Minimum Wage, aumenta cerca de 3%; e difere de acordo com a idade e se a pessoa é um aprendiz ou estagiário. Por exemplo, maiores de 25 anos, ganham £8.21 p/h, entre 21 e 24 anos, £7.70.

Meio injusto, afinal custos de vida possuem o mesmo preço independente da idade.  Além disso, o aumento anual chega a ser uma piada. Sobe apenas alguns centavos, e conforme o contrato que você possui com a empresa que trabalha, não vai fazer diferença alguma.

Salário mínimo x Inflação
Aluguel e alimentação também sobem de preço, mas pelo menos de uma forma mais justa e com menos inflação se comparado à outros países. Uma reportagem da BBC relatou que a inflação caiu para o nível mais baixo nos últimos dois anos. 

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Por outro lado, outros jornais e especialistas acreditam que o Brexit pode mudar isso. Thomas Sampson do Departamento de Economia e Pesquisa de Comércio da LSE, dialoga que a ruptura com a União Europeia  irá “causar uma inflação mais alta, salários mais baixos e produção decrescente”. Desde o referendo, lojas de departamento, pubs e restaurantes fecharam suas portas afetando milhares de funcionários.

Minimum Wage x Living Wage 
Dá para viver em Londres com o salário mínimo? Não exatamente e é uma mera questão de expectativa e realidade, digamos. Existe o salário mínimo (minimum wage) e o custo mínimo (living wage, mais pra real wage) para se viver. O London Living Wage é atualmente £10.55 por hora, isto é, o que na verdade deve ser o mínimo. O Living Wage para fora de Londres é atualmente £9 por hora. Ou seja, mesmo morando em outras cidades com um custo de vida menor, ainda está abaixo do que deveria ser.

Em média, uma pessoa trabalha 37.5 horas por semana, o equivalente à quase £310 semanais; £1240 por mês — antes de descontar o impostos (Income Tax and National Insurance). Uma casa com dois adultos e duas crianças que recebe esse valor, gastam cerca de £741 por semana em habitação, contas, alimentação, roupas, creche e outros custos de vida (dados da ONS). Jovens solteiros que trabalham 40h ou mais por semana e recebem por volta ou acima de £350, também possuem custos de vida entre 30-40% maior do que a renda. [Veja bem, quando se fala em custos de vida entenda que não se inclui nenhum tipo de luxo, viagens e lazer, e sim os famosos boletos para pagar.]

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O Reino Unido possui mais de 8 milhões de pessoas endividadas, com uma média de £2700 só em cartões de crédito. As dívidas entre jovens de 18 a 30 anos é maior devido aos menores salários e financiamento estudantil. Os cursos de universidades custam mais de £9 mil por ano, com isso eles levam décadas para terminar de pagar sua formação acadêmica.

Uma pesquisa da Young Women’s Trust descobriu que as mulheres jovens são mais propensas a estar em uma situação financeira difícil do que os homens, com 40% lutando para fazer seu dinheiro durar até o final do mês. “Os jovens, em sua maioria, queriam trabalhar duro e ser financeiramente independentes, mas muitos lutavam com baixos salários e preços crescentes”.

Apesar  do Governo levar em conta o conjunto básico de bens e serviços como aluguel, imposto municipal, contas de energia, compras de alimentos, transporte; o salário mínimo não é o suficiente para cobrir o essencial e manter condições de uma vida decente. Um estudo da Silver Doors revelou que Londres, Edimburgo, Bath, Oxford, Brighton, Cambridge, Milton Keynes, Bristol são cidades em que é quase impossível sobreviver com salário mínimo. 

Ainda, mesmo sendo ilegal, o Reino Unido bateu recorde com mais de 400 mil pessoas recebendo menos do que a lei exige. Aqui você pode conferir uma lista de 239 empresas que não pagaram seus funcionários o suficiente. 

Como realizar seu sonho de morar no Reino Unido

Pode parecer longe, difícil, complexo, caro – mas não é impossível

Quando eu tinha sete anos, meus pais começaram a procurar uma escola de inglês, dizendo que seria bom para meu futuro, para minha carreira. Aos sete anos, até pensamos no que queremos ser quando crescer, mas carreira é um assunto para adultos mesmo.

Estudei 11 anos na Cultura Inglesa, até me consideraram lenda por lá pois fiz quase todos os níveis. Eu não era a melhor aluna, tinha texto que eu lia e não entendia nada e quando tinha prova do “listening” e era algum britânico ou vietnamita falando inglês, eu simplesmente viajava. Aprender outra língua parece simples e é relativamente mais fácil quando você é criança e é mais divertido também. Saber um segundo idioma é fundamental hoje em dia para obter não um bom emprego, mas pelo menos um decente. E para quem sonha em morar fora, é imprescindível.

Com tanta cultura britânica ao meu redor, além de Spice Girls e Harry Potter, acabei ficando encantada e levemente obcecada com a Inglaterra, principalmente Londres. Por anos sonhei em morar nessa cidade e parecia tão longe e quase impossível. Mas eu tinha certeza que em algum dia da minha vida, eu ia viver essa experiência. Muita gente como eu também tem esse desejo há anos. Quem tem descendência europeia já leva uma vantagem, apesar que é caro, burocrático e bem demorado o processo para obter a cidadania. Mas e quem não tem ou quem não consegue tirar por algum motivo? Ainda é possível ter uma mínima chance de poder se mudar para Londres?

Como tirar a cidadania italiana era complexo e custava mais dinheiro do que eu poderia imaginar, pesquisei diversas formas em que seria possível morar no Reino Unido legalmente. Foram anos de tentativas e espera, até que finalmente me tornei uma cidadã italiana.

Minhas expectativas era bem altas, eu sou/era dessas pessoas extremamente empolgadas. Londres tira isso um pouco de você, tira partes de você, te deixa meio desencaixado, perdido e vazio até que cria outras partes novas. Por fora, você pode parecer o mesmo, mas por dentro vai levar um tempo até se acostumar com seu novo “eu” e ajeitar-se com as partes antigas. Morar fora é voar como uma fênix, para depois queimar em cinzas e aí renascer delas e com um pouco de purpurina.

Se você quer encarar essa experiência, seguem abaixo algumas dicas que podem te ajudar a realizar seu sonho de morar em Londres ou outras cidades do Reino Unido. 

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Emprego

Quem pretende trabalhar no Reino Unido, precisa obter um visto de trabalho. Há muita demanda por determinados profissionais, principalmente enfermeiras e engenheiros  –  confira a lista completa aqui. Como há uma escassez dessa mão de obra por aqui, certas empresas precisam contratar estrangeiros. Caso não encontrem ninguém no Reino Unido, a segunda opção é encontrar profissionais que façam parte da União Europeia, por isso nem sempre é tão fácil conseguir que uma empresa patrocine seu visto.  O que você pode fazer também é simplesmente se candidatar para vagas publicadas em sites como o Gumtree, Linkedin, entre outros, mesmo que não esteja na lista. Muitas vezes, empresas precisam de profissionais (tradutores, jornalistas, publicitários, etc) que falam Português Brasileiro ou tenham conhecimento sobre a América Latina. Leia o post com dicas para arrumar emprego em Londres aqui.

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Estudar

Londres possui diversas escolas de inglês e faculdades renomadas como a Royal College of Art e a University College London.

Se você for estudar no Reino Unido por mais de três meses, você precisa de um visto. E claro, o comprovante da matrícula do curso. É possível vir estudar sem visto, desde que você permaneça menos do que 90 dias e tenha todos os documentos necessários e fundos suficientes. Estudantes podem tirar um visto que permite trabalhar por volta de 20h por semana. Importante: confira quais instituições são certificadas pelo British Council. Apenas escolas certificadas podem fornecer um comprovante válido e aceito pela imigração no momento da chegada ao país. É esse documento que garante que você é um estudante.

São três tipos de visto. O mais comum é o Tier 4 destinado à estudantes com mais de 16 anos que já possuem a carta de admissão da instituição de ensino. O visto pode ser solicitado três meses antes do curso e normalmente fica pronto em até três semanas. Confira os requisitos aqui. Você pode chegar ao Reino Unido apenas uma semana antes se seu curso levar menos que seis meses, e chegar um mês antes  caso seu curso tenha duração de mais de seis meses. A taxa custa £328 e além disso, você tem uma taxa de seguro saúde para pagar, a healthcare surcharge. Até março de 2015, cidadãos não-europeus que vinham para estudar ou trabalhar tinham acesso gratuito ao NHS (sistema de saúde público do Reino Unido). Mas desde então estudantes devem pagar 150 libras por ano. Ah, e você tem que pagar o valor total do período que vai ficar assim que se aplica para o visto.

Não conheço nenhuma escola de inglês, a não ser as mais famosas como a Kaplan.

Eu pesquisei e o que parecem ser as mais baratas são:

Confira também:
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Bolsas

Existem milhares de tipos de bolsas para quem pretende estudar no Reino Unido (bolsas parciais, bolsas de pós-graduação, de mestrado, curso de verão). Uma das mais famosas e concorridas é a Chevening para quem deseja fazer mestrado. Você pode pesquisar sobre bolsas e financiamento diretamente no site da instituição ou também pelo Estudar Fora.

O Hot Courses também possui uma lista com diversas universidades no Reino Unido que oferecem bolsas de estudo, clique aqui. Nos sites Study UKScholarship Portal Partiu Intercâmbio você fica sabendo das principais bolsas disponíveis. Não se esqueça que após obter a bolsa, você ainda precisa tirar um visto de estudante.

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Investir em UK

É possível obter um visto de investidor, mas você precisa ter muito, mas muito dinheiro. Se você é rico, clique AQUI para mais informações.

 

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