A desvantagem em morar fora do Brasil

O que faz falta quando moramos tão longe?

Há algum tempo fiz uma lista do que para muitos (ou não) poderiam ser boas vantagens em morar na Inglaterra (clique aqui para ler). Claro que nem todo mundo concorda. Mas o que falta essas pessoas entenderem é que cada um tem uma experiência e visão diferentes, tanto no Reino Unido como no Brasil. Não existe verdade absoluta.

Contudo, acho que em geral podemos nos identificar mais com as desvantagens do que as vantagens. Nem sempre conquistamos o que viemos buscar, alguns de nós ainda estão procurando essa aventura e qualidade de vida que tanto falam.

Mas na maioria das vezes sofremos com a mesma coisa e a maior desvantagem que existe em morar fora do Brasil é a falta.

A falta da família, a falta dos amigos, a falta de sol. E o pior, sofremos com a falta que causamos também. A falta em aniversários, happy hours, dia das mães, dia dos pais, almoços de domingo. Não estamos mais ali para viver aquelas momentos que pareciam banais e que hoje são preciosas memórias.

Não poder comer coxinha com catupiry e beber um suco de maracujá fresquinho também é uma grande desvantagem. A falta que isso faz chega a doer o estômago. É aquela falta do hábito comum, de uma vontade simples que vira sonho. Quem nunca sonhou com uma coxinha e acordou bem na hora que ia dar uma mordida?

Essas coisas tão ordinárias do nosso antigo dia a dia fazem falta. A gente tenta esquecer ou pelo menos não lembrar muito. Se a gente não se acostumar com a dor dessa falta, não teremos força nas pernas para andar à nenhum lugar. Seremos apenas corpos mortos que se rastejam por aí.

Você fica vendo a vida de quem ficou do outro lado do oceano passar. Mas a sua vida passa também, às vezes para trás, às vezes para frente. De vez em quando decide voltar ou nunca mais voltar. Parece que morar fora do Brasil é morar fora da vida de quem você conhece, se tornando apenas um estranho que visita uma vez ou outra. A saudade está constantemente batendo, mas a gente soca e chuta bem forte para dentro. E quando alguém chora de saudades nossas, o que sentimos é mais culpa do que o mesmo sentimento.

Sim, morar fora do Brasil vai te trazer umas experiências impagáveis. Mas você vai experimentar a dor como nunca antes. A não ser que você seja coração de gelo, po.

Podemos sentir um grande vazio, um buraco gigante pela falta. Mas quem é importante nunca vai realmente faltar. Quem a gente ama se transborda em tudo o que fazemos. Somos pedaços pesados de cada um, ou não seríamos um ser inteiro. Essas coisas tão ordinárias do nosso novo dia a dia se preenchem com aqueles que ficaram. A falta é um sentimento que nos belisca, lembrando que nada daquilo realmente está ausente, mas sim presente. É na vendinha do indiano que vemos o chocolate preferido da irmã, um cara bonitão que seria perfeita para sua amiga. Quando você está no supermercado e ri sozinha lembrando como seus amigos foram tão idiotas e hilários naquela vez. O cheiro do vinho predileto do seu pai. Aquele bolo que nem se compara com o da sua avó. O gatinho ou cachorro que jamais vai ser tão fofo como o seu. A voz da sua mãe antes de sair para colocar o casaco ou não ir com aquela roupa ridícula.

Sem a falta não sabemos que temos algo a perder, algo nos esperando de volta, que nos dará sempre conforto. Sem a falta somos mais vazios e ralos do que nunca e não iríamos conseguir aproveitar as vantagens. Porque no fim na vida, não existe desvantagem quando existe amor.

 

 

Como realizar seu sonho de morar no Reino Unido

Pode parecer longe, difícil, complexo, caro – mas não é impossível

Quando eu tinha sete anos, meus pais começaram a procurar uma escola de inglês, dizendo que seria bom para meu futuro, para minha carreira. Aos sete anos, até pensamos no que queremos ser quando crescer, mas carreira é um assunto para adultos mesmo.

Estudei 11 anos na Cultura Inglesa, até me consideraram lenda por lá pois fiz quase todos os níveis. Eu não era a melhor aluna, tinha texto que eu lia e não entendia nada e quando tinha prova do “listening” e era algum britânico ou vietnamita falando inglês, eu simplesmente viajava. Aprender outra língua parece simples e é relativamente mais fácil quando você é criança e é mais divertido também. Saber um segundo idioma é fundamental hoje em dia para obter não um bom emprego, mas pelo menos um decente. E para quem sonha em morar fora, é imprescindível.

Com tanta cultura britânica ao meu redor, além de Spice Girls e Harry Potter, acabei ficando encantada e levemente obcecada com a Inglaterra, principalmente Londres. Por anos sonhei em morar nessa cidade e parecia tão longe e quase impossível. Mas eu tinha certeza que em algum dia da minha vida, eu ia viver essa experiência. Muita gente como eu também tem esse desejo há anos. Quem tem descendência europeia já leva uma vantagem, apesar que é caro, burocrático e bem demorado o processo para obter a cidadania. Mas e quem não tem ou quem não consegue tirar por algum motivo? Ainda é possível ter uma mínima chance de poder se mudar para Londres?

Como tirar a cidadania italiana era complexo e custava mais dinheiro do que eu poderia imaginar, pesquisei diversas formas em que seria possível morar no Reino Unido legalmente. Foram anos de tentativas e espera, até que finalmente me tornei uma cidadã italiana.

Minhas expectativas era bem altas, eu sou/era dessas pessoas extremamente empolgadas. Londres tira isso um pouco de você, tira partes de você, te deixa meio desencaixado, perdido e vazio até que cria outras partes novas. Por fora, você pode parecer o mesmo, mas por dentro vai levar um tempo até se acostumar com seu novo “eu” e ajeitar-se com as partes antigas. Morar fora é voar como uma fênix, para depois queimar em cinzas e aí renascer delas e com um pouco de purpurina.

Se você quer encarar essa experiência, seguem abaixo algumas dicas que podem te ajudar a realizar seu sonho de morar em Londres ou outras cidades do Reino Unido. 

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Emprego

Quem pretende trabalhar no Reino Unido, precisa obter um visto de trabalho. Há muita demanda por determinados profissionais, principalmente enfermeiras e engenheiros  –  confira a lista completa aqui. Como há uma escassez dessa mão de obra por aqui, certas empresas precisam contratar estrangeiros. Caso não encontrem ninguém no Reino Unido, a segunda opção é encontrar profissionais que façam parte da União Europeia, por isso nem sempre é tão fácil conseguir que uma empresa patrocine seu visto.  O que você pode fazer também é simplesmente se candidatar para vagas publicadas em sites como o Gumtree, Linkedin, entre outros, mesmo que não esteja na lista. Muitas vezes, empresas precisam de profissionais (tradutores, jornalistas, publicitários, etc) que falam Português Brasileiro ou tenham conhecimento sobre a América Latina. Leia o post com dicas para arrumar emprego em Londres aqui.

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Estudar

Londres possui diversas escolas de inglês e faculdades renomadas como a Royal College of Art e a University College London.

Se você for estudar no Reino Unido por mais de três meses, você precisa de um visto. E claro, o comprovante da matrícula do curso. É possível vir estudar sem visto, desde que você permaneça menos do que 90 dias e tenha todos os documentos necessários e fundos suficientes. Estudantes podem tirar um visto que permite trabalhar por volta de 20h por semana. Importante: confira quais instituições são certificadas pelo British Council. Apenas escolas certificadas podem fornecer um comprovante válido e aceito pela imigração no momento da chegada ao país. É esse documento que garante que você é um estudante.

São três tipos de visto. O mais comum é o Tier 4 destinado à estudantes com mais de 16 anos que já possuem a carta de admissão da instituição de ensino. O visto pode ser solicitado três meses antes do curso e normalmente fica pronto em até três semanas. Confira os requisitos aqui. Você pode chegar ao Reino Unido apenas uma semana antes se seu curso levar menos que seis meses, e chegar um mês antes  caso seu curso tenha duração de mais de seis meses. A taxa custa £328 e além disso, você tem uma taxa de seguro saúde para pagar, a healthcare surcharge. Até março de 2015, cidadãos não-europeus que vinham para estudar ou trabalhar tinham acesso gratuito ao NHS (sistema de saúde público do Reino Unido). Mas desde então estudantes devem pagar 150 libras por ano. Ah, e você tem que pagar o valor total do período que vai ficar assim que se aplica para o visto.

Não conheço nenhuma escola de inglês, a não ser as mais famosas como a Kaplan.

Eu pesquisei e o que parecem ser as mais baratas são:

Confira também:
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Bolsas

Existem milhares de tipos de bolsas para quem pretende estudar no Reino Unido (bolsas parciais, bolsas de pós-graduação, de mestrado, curso de verão). Uma das mais famosas e concorridas é a Chevening para quem deseja fazer mestrado. Você pode pesquisar sobre bolsas e financiamento diretamente no site da instituição ou também pelo Estudar Fora.

O Hot Courses também possui uma lista com diversas universidades no Reino Unido que oferecem bolsas de estudo, clique aqui. Nos sites Study UKScholarship Portal Partiu Intercâmbio você fica sabendo das principais bolsas disponíveis. Não se esqueça que após obter a bolsa, você ainda precisa tirar um visto de estudante.

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Investir em UK

É possível obter um visto de investidor, mas você precisa ter muito, mas muito dinheiro. Se você é rico, clique AQUI para mais informações.

 

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Por que é tão difícil encontrar um lugar para morar em Londres

23% da população britânica não tem fundos suficientes para pagar o aluguel

Em Londres, 8 mil pessoas encontram-se em situação de rua. Conforme dados da ONG Shelter, são mais de 250 mil moradores de ruas na Inglaterra. Por outro lado, quando se tem uma casa para morar, é difícil mantê-la. Há anos que Londres possui uma intensa crise de moradia devido aos preços inacessíveis tanto de compra como de aluguel. A média é de £1,543 por mês e apesar das tentativas de estabilizar de acordo com a inflação, uma pesquisa do Royal Institution of Chartered Surveyors indica que o valor do aluguel subirá 25% nos próximas cinco anos.

A capital da Inglaterra que mais sofre com a crise. Não há moradias decentes e acessíveis para boa parte de seus habitantes. Uma pesquisa de 2016 do YouGov apontou que 23% da população britânica não tem fundos suficientes para pagar o aluguel. Segundo a ONG StepChange, a quantidade de inquilinos em dívidas entre 2011 e 2015 cresceu 139%.

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Mais de 50% da população do Reino Unido acredita que a razão está por trás do aumento da imigração e do investimento de estrangeiros na compra de propriedades. Muitas casas são adquiridas, mas ninguém acaba se mudando. O número de casas vazias em Londres – incluindo mansões que custam milhões de libras – é grande, assim como o número de pessoas dormindo em condições desumanas nas ruas. Uma pesquisa feita ano passado pelo jornal The Guardian consta que 22 mil residências em Londres estavam inabitadas pelos seus donos por mais de seis meses – dessas 8,561 estão sem residentes por mais de dois anos e 1,151 não possuem um morador por mais de uma década.

Reprodução/The Guardian

Contudo, imigração, investidores estrangeiros e mansões vazias não são as principais causas. Apesar desses fatores influenciarem o problema, a verdade é que a crise de moradia  antecede o aumento da taxa de imigração. Londres é uma cidade muito pequena, mas muito populosa e não consegue absorver perfeitamente os 4,542 habitantes por km². A demanda – seja de imigrantes ou dos próprios britânicos – é enorme. Desde os anos 2000, a população aumentou 69%.

Nas charmosas casinhas da era vitoriana, pequenas e já superlotadas – não é raro encontrar pelo menos oito pessoas dividindo a mesma cozinha. A solução parece simples: habitações em altos prédios com vários apartamentos por andar. Mas outros obstáculos persistem. Prédios residenciais com mais de cinco andares são construções recentes e boa parte ainda está sendo construída, principalmente no leste da cidade. Nem sempre existe terreno suficiente ou disponível, afinal o espaço já é ocupado por uma residência ou por um edifício tombado, ou ambos. Uma análise da IBTimes UK afirma que seria necessário construir 42 mil residências por ano para atender a demanda. Aliás, construções de prédios altos comerciais e residenciais não agradam ambientalistas – nem quem preza pela arquitetura londrina, pois alegam que a cidade perde o charme e a identidade. De qualquer forma, existe uma grande escassez de mão-de-obra qualificada, como pedreiros, carpinteiros e canalizadores. Logo após a crise financeira de 2008, vários pequenos construtores entraram em falência.

Um dos outros motivos que originaram e intensificaram a crise são os investidores “buy-to-let”. Eles compram uma propriedade como investimento e alugam para terceiros, o que acaba limitando consideravelmente o mercado para quem quer comprar e morar.

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Reprodução/Matt Brown

A média dos salários em Londres é a mais alta do país, mas não significa necessariamente que os habitantes têm condições de realizar o sonho da casa própria e se sustentar sem dificuldades. Cerca de 70% acredita que não conseguirá adquirir um patrimônio sem ajuda financeira. Nos últimos anos, a média de preço de um lar subiu quase 50%, a maioria mal consegue pagar o aluguel que dirá uma propriedade. Mesmo com o preço lá em cima, quartos, casas e apartamentos alugados oferecem condições precárias. Em 2015, autoridades locais descobriram que 26 pessoas habitavam uma casa com três dormitórios em Newham (ao mesmo tempo falta espaço, pois hoje muitos decidem morar sozinho).

Quem vem à Londres estudar também não escapa. Mais de 75% das acomodações estudantis apresentam problemas como infestação de ratos e baratas e mofo. O relatório da União Nacional dos Estudantes de 2014 apontou que 25% das residências possuem vermes e que boa parte dos estudantes fica endividada devido ao preço do aluguel. Muitos jovens profissionais acabam decidindo dividir um quarto ou até mesmo morar em barcos como uma forma mais viável de acomodação.

A crise é grande, mas muitas pessoas tentam se aproveitar da situação e anunciam seus espaço exclusivamente para mulheres. A IBTimes UK levanta a questão que a “desigualdade e a misoginia alimentam a exploração sexual por aluguel“. No artigo, relata que diversos ‘anunciantes’ oferecem quartos, ou melhor, um sofá ou um pedaço da cama, desde que as mulheres estejam disponíveis para sexo “quando eles quisessem”. Além da subordinação sexual, a troca por um lugar para dormir ainda incluiria afazeres domésticos e palmadas “dez vez em quando”.

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Durante anos, governos após governos, Londres tenta sair dessa grande crise. Existem alguns programas de incentivo e apoio que oferecem garantias e assistência tanto a quem recebe baixos salários ou vive somente de benefícios quanto aos senhorios – mas ainda não é o suficiente.

O assunto está constantemente no topo da agenda política e nas discussões em época de eleições. É importante que o governo mantenha o mercado imobiliário mais aberto e flexível e fiscalize mais intensamente as acomodações. Já o crescimento da demanda e a escassez de habitações desafiam não só os prefeitos e habitantes da cidade, mas também os credores que têm feito uma contribuição significativa para o financiamento de casas, mas que necessitam de uma abordagem política que seja estável e sustentável a longo prazo.

Há projetos para construir 50 mil residências até o ano de 2020. Por hora, não adianta construir mais casas se elas não terão preços acessíveis.

Onde tomar um café em Londres sem gastar nada

Tá sem grana, mas precisa de energia? Que tal um cafezinho? E de graça?

Não é necessário muito esforço para conseguir um café, chá e até um chocolate quente free em Londres. Não acredita? Então confira abaixo:


Benugo

Ao assinar a newsletter, o Benugo faz um agrado aos clientes e oferece uma bebida quente grátis (de qualquer tamanho). No dia do seu aniversário, você ganha um muffin!

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Waitrose
Ganhe um café, capuccino ou chá no Waitrose. Basta ser um membro do myWaitrose e comprar qualquer produto (não há um valor mínimo estipulado). A promoção é válida todos os dias, ou seja, a cada novo dia, um novo café.

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Harris + Hoole
A H+H foi eleita a melhor rede de café do Reino Unido em 2015. Moderninha e descolada, possui um aplicativo que garante um café sem custo. Se você adquirir o cartão fidelidade, o seu sétimo café sai na faixa!

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KFC
Outro aplicativo que você pode baixar e ter direito à um café é o Colonel’s Club, o clube fidelidade do KFC que também oferece promoções de comidinhas.

Paul Winch-Furness / Photographer

Greggs
O Greggs é mais um na lista com boas vantagens. Ao baixar o aplicativo do programa de fidelidade Greggs Reward, o primeiro café é grátis. Fique de olho nas promoções e, sempre que escanear uma compra no app, você junta pontos que dão direito à deliciosos brindes.

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Marks and Spencer
Já deu para perceber que não faltam vantagens em participar de todos os programas fidelidade possíveis. Por isso, vá hoje mesmo à uma loja Marks and Spencer para adquirir seu cartão fidelidade Sparks! O café não sai exatamente de graça, mas ao comprar uma bebida quente você ganha outra! Além disso, você terá acesso à várias outras ofertas exclusivas e excelentes!

 

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