Por que toneladas de roupas praticamente novas vão ao lixo no Reino Unido

A cada sete pessoas, pelo menos uma joga suas roupas na lixo

Enquanto no Brasil temos o hábito de doar aquela peça que não usamos mais, cerca de 350.000 toneladas de roupas ao ano vão parar em aterros no Reino Unido. Por aqui, o consumo de roupas novas aumentou cinco vezes desde os anos 80 e é também o maior comparado à qualquer outro país da Europa.

Segundo uma pesquisa da marca sustentável britânica Thought, apenas um terço dos britânicos (36%) consertam suas roupas. Apesar de 47% dizer que sabe como reparar uma peça, um em cada quatro (25%) prefere não consertar as roupas porque “é mais fácil comprar algo novo”.

A cada sete pessoas, pelo menos uma joga suas roupas no lixo, ou seja, um total de mais de oito milhões de pessoas no Reino Unido. “Se consertamos as roupas em vez de jogá-las no lixo, a poluição e consumo de água podem ser drasticamente reduzidos”, diz a pesquisa da Thought que pretende conscientizar os britânicos sobre os efeitos negativos de jogar roupas fora.

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Peças que entram no fluxo de resíduos municipais geralmente são contaminadas ou tão danificadas que não podem mais ser recicladas. Cerca de 80% acaba sendo incinerada, o que causa o quarto maior impacto no meio ambiente e contribui com 10% de todas as emissões globais de carbono. Com tecidos no lixo que não podem ser mais reutilizados, é necessário produzir mais para atender a demanda. Para fornecer algodão suficiente para apenas uma camiseta, usa-se até meio quilo de pesticida e 1.800 galões de água para fazer um único par de jeans.

Por isso, é importante que a ‘vida útil’ de roupas se estenda por no mínimo mais nove meses. Acadêmicos do Centro de Moda Sustentável da London College of Fashion defendem que habilidades de manutenção de roupas, além de um hábito em preferir roupas já adquiridas do que novas’ não causariam tanto desperdício. A ClothesAid também defende essa ideia e segundo seus dados, o Reino Unido poderia economizar cerca de 3 bilhões de libras por ano ao fabricar e limpar roupas, “se mudarmos a maneira como fornecemos, usamos e descartamos roupas”.

Centenas de milhares de toneladas de tecido também são desperdiçados no processo de design e produção; em média 15% do tecido pode acabar no chão. Nos Estados Unidos, organizações como FABSCRAP e HELPSY recolhem sacos de excesso de tecidos toda semana em estúdios de moda para reciclagem.

Além de brechós e lojas de caridade que aceitam peças usadas para reciclagem, é possível encontrar pelas ruas do Reino Unido os “clothing banks”  que são como caçambas, mas ao invés de entulho, as pessoas ‘depositam’ roupas para doação ou reciclagem. Os banks aceitam inclusive sapatos, toalhas, cobertores e lençóis.


A ONG TRAID acredita também que dever haver um incentivo social para que os consumidores tenham informações necessárias e compreendam ‘o real custo social e ambiental do consumo de roupas baratas’. Além disso, a ONG (que transforma resíduos de roupas em fundos e recursos para reduzir os impactos ambientais e sociais) afirma que melhorar as condições e práticas de trabalho na indústria têxtil é imprescindível.

O Parlamento Britânico possui um projeto que exige que varejistas e fabricantes sejam responsabilizados pelo desperdício e paguem uma taxa por cada peça de vestuário vendida sob os planos de reduzir a quantidade de roupas despejadas em aterros sanitários a cada ano. Porém, o governo pretende rever a proposta em 2025. A auditoria ambiental pede ação até 2022, antes que seja tarde demais.

 

 

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Como arrumar emprego em Londres

Dicas e informações sobre vagas de emprego e salário em Londres

A busca por um emprego é por si só um trabalho. Desenvolver perfeitamente seu currículo, pesquisar vagas, fazer network, entrar em contato com recrutadores parece fácil, mas não é. E se você se mudou para outro país, tem que fazer tudo isso em outro idioma – e muitas vezes em outro estilo.

No Reino Unido, assim como Estados Unidos e outros países da Europa, é comum enviar uma carta de apresentação, junto com o currículo. Essa sim é a parte complicada, afinal basta apenas traduzir seu CV e realizar alguns ajustes.

A cover letter é geralmente mais importante do que seu currículo – é a porta de entrada da sua carreira e das suas qualificações. Algumas empresas nem chegam a olhar seu CV; isso não significa que você não deve enviá-lo. Mas é a carta de apresentação que vai mostrar se o candidato sabe escrever bem e vender seu peixe – muito antes da entrevista, sua cover letter é que vai mostrar por que devem te contratar.

Por isso, tenha em mente desde já que para cada vaga você necessita escrever uma carta específica. As empresas sabem muito bem quem manda e-mails genéricos e aleatórios. Portanto, foque na vaga em que você quer se candidatar.

Mas onde encontrar vagas de emprego em Londres?

Aqui uma lista com alguns sites com milhares de oportunidades em diversos setores:

Grupos para brasileiros no Facebook e o LinkedIn também dispõem de dezenas de vagas. Além disso, há diversos aplicativos como o Job Today e o Jobs in London.  Outro aplicativo bacana é Shapr, é como um Tinder para fazer network.

Qual o salário mínimo em Londres?

O salário é pago por hora. A cada ano o aumento é praticamente insignificante. De 2016 para 2017, passará de £7.20 para £7.50 – isso depende da idade do trabalhador, se ele é menor de 25 anos, se ele é aprendiz e da boa vontade da empresa, pois muitos recebem entre £6.50 e £6.95 por hora. Até o ano passado, haviam mais de 720 mil  vagas de emprego com baixos salários. Segundo dados da Trust for London, 27% dos empregos mal pagos estão na área de comércio, enquanto 22% de hotelaria e gastronomia, totalizando quase metade dos empregos mal pagos na capital inglesa. A expectativa é de um aumento do minimum wage para £9 em 2020.

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Em Londres, existe o minimum wage e o living wage, o valor mínimo da hora estipulada por lei e o valor mínimo que custa para se viver na cidade. Ou seja, realidade versus expectativa. O living wage – que na verdade deveria ser o mínimo – é apenas uma sugestão aos empregadores, e claro que as empresas muitas vezes escolhem não pagar (a porcentagem de empregadores que não pagam só aumenta). Baseado no custo de vida em Londres, o living wage é de £9.75 e cobre o básico (aluguel, transporte, supermercado, council tax e o national insurance – nada de diversão ou contas extras como telefone e a licença de TV).  No restante do Reino Unido, o living wage é de £8.45.

É por essa razão que nos últimos 10 anos, o índice de pobreza entre a classe trabalhadora cresceu 70%. O salário mínimo não cobre as despesas para quem vive em Londres.

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Foto: Michael
Quantas horas vou trabalhar?

Você pode escolher quantas horas quiser ou precisa. A média é de 6 à 8 horas, mas quem trabalha em bares, pubs e restaurantes, por exemplo, exerce sua função por até 12 horas por dia. Estudantes normalmente escolhem trabalhar meio período, de 10 a 20 horas por semana.

O que preciso para ter o direito a trabalhar em Londres?

  • Visto de trabalho
  • Cidadania britânica ou de países da União Europeia

Se você pretende trabalhar sem permissão no Reino Unido, fique em casa. Além de ser ilegal, você encontrará diversas dificuldades, desde abrir uma conta, receber o salário (terá que receber em dinheiro) até poder alugar uma casa.

Não arrisque só porque você conhece alguém que se deu bem. Empregadores não aceitam imigrantes ilegais, pois além de enfrentarem uma pena de cinco anos na prisão, a multa é altíssima e não vale o risco. Ah, e você também pode ir pra cadeia por pelo menos 6 meses.

Observações

  1. Depende da vaga e da experiência, mas sim, as empresas dão preferência aos britânicos; europeus e nativos de língua inglesa são a segunda preferência.
  2. Sua chance de arrumar emprego em Londres é muito maior se você já tem experiência e referência de trabalho no Reino Unido, seja qual for a área.
  3. Tenha em mente que quanto melhor seu nível de inglês, melhor o seu emprego e consequentemente melhor o seu salário.
  4. Se você não fala nada de inglês, dificilmente conseguirá um emprego formal. É mais provável que te contratem para serviços que você não tenha muito contato com outras pessoas como por exemplo faxineiros, camareiras, lavadores de prato, aupair de bebês, etc. Não é impossível, por isso não desista! Seja persistente, em Londres tem lugar para todo mundo.

Por que é tão difícil encontrar um lugar para morar em Londres

23% da população britânica não tem fundos suficientes para pagar o aluguel

Em Londres, 8 mil pessoas encontram-se em situação de rua. Conforme dados da ONG Shelter, são mais de 250 mil moradores de ruas na Inglaterra. Por outro lado, quando se tem uma casa para morar, é difícil mantê-la. Há anos que Londres possui uma intensa crise de moradia devido aos preços inacessíveis tanto de compra como de aluguel. A média é de £1,543 por mês e apesar das tentativas de estabilizar de acordo com a inflação, uma pesquisa do Royal Institution of Chartered Surveyors indica que o valor do aluguel subirá 25% nos próximas cinco anos.

A capital da Inglaterra que mais sofre com a crise. Não há moradias decentes e acessíveis para boa parte de seus habitantes. Uma pesquisa de 2016 do YouGov apontou que 23% da população britânica não tem fundos suficientes para pagar o aluguel. Segundo a ONG StepChange, a quantidade de inquilinos em dívidas entre 2011 e 2015 cresceu 139%.

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Mais de 50% da população do Reino Unido acredita que a razão está por trás do aumento da imigração e do investimento de estrangeiros na compra de propriedades. Muitas casas são adquiridas, mas ninguém acaba se mudando. O número de casas vazias em Londres – incluindo mansões que custam milhões de libras – é grande, assim como o número de pessoas dormindo em condições desumanas nas ruas. Uma pesquisa feita ano passado pelo jornal The Guardian consta que 22 mil residências em Londres estavam inabitadas pelos seus donos por mais de seis meses – dessas 8,561 estão sem residentes por mais de dois anos e 1,151 não possuem um morador por mais de uma década.

Reprodução/The Guardian

Contudo, imigração, investidores estrangeiros e mansões vazias não são as principais causas. Apesar desses fatores influenciarem o problema, a verdade é que a crise de moradia  antecede o aumento da taxa de imigração. Londres é uma cidade muito pequena, mas muito populosa e não consegue absorver perfeitamente os 4,542 habitantes por km². A demanda – seja de imigrantes ou dos próprios britânicos – é enorme. Desde os anos 2000, a população aumentou 69%.

Nas charmosas casinhas da era vitoriana, pequenas e já superlotadas – não é raro encontrar pelo menos oito pessoas dividindo a mesma cozinha. A solução parece simples: habitações em altos prédios com vários apartamentos por andar. Mas outros obstáculos persistem. Prédios residenciais com mais de cinco andares são construções recentes e boa parte ainda está sendo construída, principalmente no leste da cidade. Nem sempre existe terreno suficiente ou disponível, afinal o espaço já é ocupado por uma residência ou por um edifício tombado, ou ambos. Uma análise da IBTimes UK afirma que seria necessário construir 42 mil residências por ano para atender a demanda. Aliás, construções de prédios altos comerciais e residenciais não agradam ambientalistas – nem quem preza pela arquitetura londrina, pois alegam que a cidade perde o charme e a identidade. De qualquer forma, existe uma grande escassez de mão-de-obra qualificada, como pedreiros, carpinteiros e canalizadores. Logo após a crise financeira de 2008, vários pequenos construtores entraram em falência.

Um dos outros motivos que originaram e intensificaram a crise são os investidores “buy-to-let”. Eles compram uma propriedade como investimento e alugam para terceiros, o que acaba limitando consideravelmente o mercado para quem quer comprar e morar.

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Reprodução/Matt Brown

A média dos salários em Londres é a mais alta do país, mas não significa necessariamente que os habitantes têm condições de realizar o sonho da casa própria e se sustentar sem dificuldades. Cerca de 70% acredita que não conseguirá adquirir um patrimônio sem ajuda financeira. Nos últimos anos, a média de preço de um lar subiu quase 50%, a maioria mal consegue pagar o aluguel que dirá uma propriedade. Mesmo com o preço lá em cima, quartos, casas e apartamentos alugados oferecem condições precárias. Em 2015, autoridades locais descobriram que 26 pessoas habitavam uma casa com três dormitórios em Newham (ao mesmo tempo falta espaço, pois hoje muitos decidem morar sozinho).

Quem vem à Londres estudar também não escapa. Mais de 75% das acomodações estudantis apresentam problemas como infestação de ratos e baratas e mofo. O relatório da União Nacional dos Estudantes de 2014 apontou que 25% das residências possuem vermes e que boa parte dos estudantes fica endividada devido ao preço do aluguel. Muitos jovens profissionais acabam decidindo dividir um quarto ou até mesmo morar em barcos como uma forma mais viável de acomodação.

A crise é grande, mas muitas pessoas tentam se aproveitar da situação e anunciam seus espaço exclusivamente para mulheres. A IBTimes UK levanta a questão que a “desigualdade e a misoginia alimentam a exploração sexual por aluguel“. No artigo, relata que diversos ‘anunciantes’ oferecem quartos, ou melhor, um sofá ou um pedaço da cama, desde que as mulheres estejam disponíveis para sexo “quando eles quisessem”. Além da subordinação sexual, a troca por um lugar para dormir ainda incluiria afazeres domésticos e palmadas “dez vez em quando”.

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Durante anos, governos após governos, Londres tenta sair dessa grande crise. Existem alguns programas de incentivo e apoio que oferecem garantias e assistência tanto a quem recebe baixos salários ou vive somente de benefícios quanto aos senhorios – mas ainda não é o suficiente.

O assunto está constantemente no topo da agenda política e nas discussões em época de eleições. É importante que o governo mantenha o mercado imobiliário mais aberto e flexível e fiscalize mais intensamente as acomodações. Já o crescimento da demanda e a escassez de habitações desafiam não só os prefeitos e habitantes da cidade, mas também os credores que têm feito uma contribuição significativa para o financiamento de casas, mas que necessitam de uma abordagem política que seja estável e sustentável a longo prazo.

Há projetos para construir 50 mil residências até o ano de 2020. Por hora, não adianta construir mais casas se elas não terão preços acessíveis.

Corações afogados

Muita gente sabe já que a Europa não é muito fã de imigrantes, em especial aqueles que vêm de países mais pobres. O ditado nacional é que “imigrantes roubam emprego de nativos”. Ontem mesmo vi o comentário de mulher dizendo que há tempos não escuta uma camareira falar em inglês de verdade. Querida, você quer que eu te indique para um emprego de camareira? Não, né? Porque os europeus não querem “empreguinhos”, mas adoram se vitimizar dizendo que estrangeiros invadiram seu país e estão destruindo sua cultura. Como se eles super inocentes e nunca fizeram nada de ruim contra nenhum país.

A imigração é uma coisa natural do mundo. Como encaram isso que não é natural. Uma colunista ridícula e imbecil do tabloide The Sun, Katie Hopkins, disse que não se importa em ver os corpos daqueles que morreram na travessia entre África e o continente europeu. Mas isso nem é uma das piores coisas que se ouve por aí.

Existia uma antipatia e uma falta de compaixão por aqueles que sofrem e até acabam morrendo numa aventura caótica em busca de uma terra que lhe dê esperanças ou ao menos uma migalha de pão. No último final de semana, um barco com cerca de 700 imigrantes virou na ilha de Lampedusa, na Itália. Alguns dias antes, 400 outros haviam de afogado perto da costa da Líbia. De acordo com informações do The Guardian, quem faz essa travessia entre continentes são “traficantes impiedosos”, que pouco se importam se seu barco voltará ou não. Os traficantes cobram uma boa quantia pela “passagem” e podem ter até 6000% de lucro. A embarcação não possui tripulação e fica boiando até “alguém” buscá-la. Muitos imigrantes ficam trancados no convés sem permissão de sair. Nada tão diferente do modo como funcionava a escravidão.

A Europa lava as mãos. Políticos se reúnem, conversam, mas não fazem nada que realmente seja eficiente. “O que está acontecendo agora tem proporções épicas. Se a Europa e a comunidade internacional continuar a fazer vista grossa…seremos todos julgados da mesma maneira que a história julgou a Europa quando ela fez vista grossa ao genocídio deste e do século passado”, disse o primeiro ministro de Malta, Joseph Muscat, disse à BBC. As autoridades europeias temem que se eles resgatarem os imigrantes ou fiscalizarem melhor as embarcações será um incentivo para mais pessoas buscarem uma vida melhor no continente. A União Europeia finalizou as operações de patrulhamento designado especificamente para o socorro a embarcações ilegais cruzando o Mediterrâneo. E quando há algum socorro, o investimento é baixo e feito em menor escala.

Em uma reportagem da BBC, o  Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR) relatou que barcos de imigrantes teriam levado 13.500 pessoas em águas italianas somente na última semana. No ano passado, um número recorde de 170 mil imigrantes fez a travessia para chegar à Itália. Milhares morreram na viagem.

Mas são imigrantes em sua grande maioria negros. E pobres. Abandonados à própria sorte, tentando alcançar sua sobrevivência quase fatal. Ninguém se importa porque não é conveniente. E assim, corações de esperançosas almas param de bater e afundam no oceano.