Por que muitos se cansam de Londres, se cansam da vida

“Quando um homem se cansa de Londres, ele está cansado da vida” – Samuel Johnson

“Quando um homem se cansa de Londres, ele está cansado da vida; porque há em Londres tudo que a vida pode trazer.”
Samuel Johnson em The life of Samuel Johnson (1791). Continue Lendo “Por que muitos se cansam de Londres, se cansam da vida”

Depressão de relocação

Para todo mundo que já sentiu a mais profunda dor de homesick

A experiência de morar fora de casa, fora do país, longe do papai e da mamãe pode ser muito diferente para cada um. Eu sempre vi como uma aventura, mas também acreditei erroneamente que ia me virar. Afinal, meus pais me criaram bem e nós, brazucas, paulistas somos capazes de viver – ou melhor – sobreviver a qualquer tipo de caos. E é exatamente onde me enganei. Eu realmente consigo sobreviver qualquer perrengue. Mas e quando o caos não é externo? Quando o caos está dentro de você?

No meu último post, há quase um mês, escrevi sobre esquecer e meio que perder quem realmente somos. Nós mudamos, nos transformamos numa nova versão de nós mesmos. Os pedaços que perdi de mim mesma foram letais, mal consigo lembrar quem eu era e por que eu era. Essa nova versão minha não me agrada. Parece que estou presa num corpo emprestado, atrelada à uma mente que não me pertence, anexada à uma vida que um dia foi minha, mas que resta muito pouco do meu eu verdadeiro.

Quando a gente morre, morremos sozinhos. E às vezes me sinto como se eu tivesse sido enterrada viva ou como se eu tivesse me afogando aos poucos, mas caindo tão profundo no oceano que é quase impossível voltar à superfície.

Isso tudo porque as peças que me compunham descolaram. Quando a gente sai do nosso habitat natural, saímos de nós mesmos e é preciso ter coragem para poder construir um novo universo que seja habitável e compatível com nossos sonhos, medos e esperanças. Tudo pode desabar uma hora ou outra e os tijolos vão se desfazer na sua cabeça, mesmo que você tenha uma boa estrutura. O vírus da depressão de relocação (ou uma profunda homesick) pode afetar qualquer um, até a pessoa mais animada e genuinamente feliz. Deixamos tudo para trás, inclusive nós mesmos. Muita gente fala para se aventurar no mundo e mudar de país ou coisa assim para sair da zona de conforto. Isso é o de menos. Existe a zona de batalha com nosso “eu” que elimina qualquer conforto. A depressão de relocação não é simplesmente porque mudamos de local, mas deve essencialmente porque estamos relocando nosso eu e nossa alma, nossos sonhos e receios, nosso futuro e passado, nossas certezas e incertezas. Estamos relocando toda a nossa vida. É uma nova vida dentro de uma antiga que não quer escapar.

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Eu sempre achei que soubesse quais eram meus verdadeiros sonhos, minha vontades. Sempre fui determinada, decidida. Mas levei um choque elétrico tão forte que tudo o que eu pensava e tinha como certo, não sei mais. Se sentir confuso dói, mas mostra uma nova paleta de opções de onde podemos ir, onde podemos chegar, onde queremos chegar ou parar, onde vamos nos perder de novo.

A depressão de relocação põe em cheque tudo que fomos até agora pois temos que decidir onde iremos relocar nós mesmos e colocar nosso destino. É a questão de escolher o que seremos e esse tipo de decisão nunca é fácil, ainda mais se pode afetar outras pessoas além de nós mesmos. Relocar nossa vida toda é basicamente escolher entre ser feliz e não ser feliz. O grande problema é que não existe placa alguma indicando o caminho certo.

Quando a gente não sabe mais quem a gente é

Alguns pedaços de nós têm que morrer para outros nascerem

Meu sonho sempre foi morar em Londres. Quem me conhece, sabe da minha história, sabe que esse sonho praticamente resume quem eu sou, ou pelo menos, quem eu era.

Eu não tinha percebido até agora que no momento em que eu entrei no avião, eu não só deixei minha família, meus amigos, minha casa, meu cachorro, minha coelha, minha vida, minha história, mas eu deixei uma boa parte de mim pra trás. E esse vazio imenso e dolorido tinha que ser preenchido. Aos poucos e cambaleante,às vezes aos solavancos, ou até imperceptivelmente.

Mudar pra um outro país é uma novidade, tudo é empolgante. No começo, principalmente. Tudo é novo, mesmo que eu já tivesse vindo para Londres cinco vezes antes. São novas esperanças, novas expectativas, novos amigos, novas ruas para se perder, novos lugares para conhecer, uma vida nova para descobrir.

Mas isso pra mim foi como o verão. Dias ensolarados, mas que têm seu fim. Logo, o inverno chega e leva aquele brilho embora. Tudo fica nublado, cinza, perdido entre as nuvens. A vida vem e mostra outras previsões de tempo, coisas que a gente jamais imaginou viver.

Mudar tudo radicalmente mesmo que num espaço não tão estranho, é difícil. Eu me acostumei fácil com minha vida em Londres, mas me desacostumar da minha vida no Brasil é quase impossível, como se eu perdesse ou esquecesse quem eu sou se isso acontecesse por completo. Prefiro sentir as dores de arranhões profundos por não me acostumar do que esquecer o que é acordar com o barulho insuportável de buzinas, de passarinhos histéricos e da minha cachorra latindo. Prefiro sentir a dor da solidão todas as manhãs do que me acostumar a não tomar café da manhã com a minha família e sentir o vazio dos sábados de pizza e almoços de domingo.

E por mais que minha rotina, meus círculos de amizade, meu endereço e meu guarda roupa tenham mudado, eu não mudei. Eu ainda sou eu, mas ao mesmo tempo não sou mais eu. E também não sei quem serei. Inocente ou até mesmo burrice da minha parte achar que mudando minha vida, eu iria continuar exatamente a mesma. Outras pessoas numa cultura diferente e com um cardápio imenso de novas experiências a escolher. Isso cria um impacto em nós e é impossível sair ileso.

Quando a gente embarca numa aventura, no final já não somos mais os mesmos. Mesmo que a jornada pareça inofensiva, aquilo vai machucar e deixar marcas. Muitas delas não cicatrizam nunca e sangram constantemente e para sobrevivermos à isso, temos que nos reinventar. Essa transição pode parecer mais assustadora do que realmente é, afinal, não vamos nos reconhecer mais por um tempo. É como se perder dentro de nós mesmos.  Caímos num buraco fundo, cada vez mais fundo e cada vez que você tenta escalar, ele fica mais fundo.

Eu não só mudei de país, de cultura, mas eu mudei por dentro também. Eu não sou mais aquela Érica. Embarquei sendo uma, desembarquei sendo outra já desde então. Acho que só a partir do momento que a gente aceitar isso, aceitar que tudo bem não saber mais quem somos, vamos conseguir sair do buraco dentro de nós mesmos.

Ser igual sempre é chato. Mesmo que a metamorfose doa todos os cantos de nossa alma, o resultado sempre vale a pena. A vida é isso.

Eu achei que eu estava perdendo quem eu era, mas só estou me tornando uma nova versão de mim mesma. Alguns pedaços têm que morrer para outros nascerem, e a gente assim ressuscitar das cinzas, ou melhor, da purpurina.

Reclamar é coisa de brasileiro?

Nossa, como brasileiro adora reclamar da vida. Nada tá bom. Nunca.

Mas isso é maravilhoso. Imagina tudo ser bom? Não poder reclamar de nadinha? Seria extremamente frustrante e nada enriquecedor.

Nada é perfeito. Obviamente, temos que ser gratos pelas coisas que já conquistamos na vida. Ver o lado positivo, atrair o melhor. Mas reclamar é bom. É ver o que não está 100% e querer sempre caminhar pra frente ao invés de ficar parado.

É, é verdade que brasileiro é acomodado. Mas um acomodado reclamão. Gosta de se queixar do que não lhe agrada, mas sentado. Pelo menos ele sabe que nem tudo está bem. Podemos levar vidas mascaradas, ser falso no dia a dia com os chatos e malas por aí. Mas é pior quando as pessoas mascaram seus próprios sentimentos e são falsas com elas mesmas. Andam pela vida sorrateiramente, enganando-se que tudo está bem. Eu vejo nos rostos de quem mora aqui. Elas não querem nem pensar em reclamar. É melhor aceitar e deixar lacunas em seu sonhos, deixar sempre faltando alguma coisa, que não sabem direito o que é. Não sabem por que, como ou de onde veio esse vazio, como se estivessem presas ou emperradas, tornando-se indiferentes à tudo ao seu redor.

Ver o que não está legal nos mostra versões de vidas e opções de poder mudar. Pra enxergar as imperfeições, temos que colocar as lentes de alta resolução da queixa.

A vida é incrível, mas pra conquistar esses momentos que se encaixam em nossa existência, não podemos ser pouco. Não podemos aceitar migalhas e restos – para construir, temos que desconstruir. A vida tem muito a oferecer para ficar estagnado num mundo perfeito. Temos que pedir mais para ser mais. É necessário ver além, saber o que não presta, saber o que nos incomoda, o que nos deixa infeliz, o que nos deixa putos da vida. Temos que reivindicar, solicitar, pedir, requerer, desaprovar, protestar, demandar. Porque o tempo todo querem algo de nós, sugando um pouco de nossa felicidade, explorando um tico de nossa alma, esmagando nossas esperanças. Se o mundo quer tanto de nós, nós também queremos algo do mundo.

E vamos reclamar do que for. Reclamar nos identifica como brasileiros, como humanos. Passar os olhos pela vida como uma vitrine e não ver que o vidro está embaçado simplesmente não faz parte de nós – ou pelo menos não deveria. Reclamamos sentados ou de pé para nosso coração não ficar de ponta-cabeça, para nossa jornada pelo mundo não ser murcha. Claro, não é para nos tornarmos insuportáveis e relatar simplesmente tudo o que está errado. O ponto é reclamar o que falta para então nós nos preenchermos com uma vida mais viva. Que essas críticas que apontamos no mundo enriqueça nossos sorrisos marotos. Afinal, é sempre melhor ser um reclamão do que aceitar uma vida sem perspectivas, vazia e oca. Exigindo um pouco mais, podemos ingerir um pedacinho a mais da vida.

Incondicionalmente

Acho linda a frase “Eu te amo incondicionalmente”. Não quer dizer, como alguns pensam, “vou te amar para sempre não importa o que aconteça”.
E sim, “Eu te amo sem condições”. Você não precisa amar a pessoa por causa disso ou daquilo. Ou “eu vou te amar pra sempre se…”. Um amor sem condições é um amor livre, e se você deixa a pessoa ser livre, você realmente a ama. Livre de condições desnecessárias. Afinal, o amor não precisa de condições, regras ou imposições. O amor por si só já é suficiente. E ele tem que ser livre.

A obrigação de ser feliz

Seja feliz se você quiser

Quando entrevistei a psicoterapeuta Ana Gabriela Adriani para uma reportagem em vídeo, ela disse que um dos motivos que as pessoas ficam estressadas e até deprimidas é a exigência de nossa sociedade em sermos produtivos, saudáveis e felizes. O tempo e o espaço de uma cidade como São Paulo por exemplo, possuem também uma diferente percepção. Parece que temos menos tempo e mais distância a percorrer. O dia a dia é lotado de coisas para fazer, além de constantes sentimentos de frustração e ansiedade.

Temos que ser bem sucedidos na carreira. Temos que ter relacionamentos familiares e amorosos sem defeitos. Temos que ter um corpo que se enquadre nos padrões de beleza. E mesmo que nada na vida consiga manter o equilíbrio perfeito, temos que manter o sorriso no rosto. Nas vitrines sociais, temos a obrigação de ser feliz. É uma vida de aparências e não de experiências.

ReproduçãoCara, ninguém é um robô construído para uma determinada função. Felicidade não é um produto a ser vendido ou comprado, muito menos uma obrigação. Felicidade é uma busca, uma conquista, um caminho a ser percorrido. E tudo bem ser infeliz, frustrado, angustiado, deprimido, triste, chateado com as coisas da vida e com você mesmo. São as mais puras emoções humanas. É NORMAL. Essa felicidade constante que compartilham e fazem questão de mostrar e provar toda hora, é uma felicidade plastificada, falsa e efêmera. Um sorriso pirata que passou por uma linha de produção até chegar à versão mais que perfeita e maravilhosa não dura na alma.

Me dá um abraço, eu sei que não está tudo bem. É impossível TUDO estar bem. Mas essa é a graça da nossa existência. Porque quando algo está incomodando, não está certo, ainda não chegou ao ponto que queremos, continuamos nossa luta na batalha. Isso nos torna mais vivos. Além disso, conhecer o “lado negro”, saber o que é infelicidade e solidão, nos permite saber o que é felicidade de verdade. Naquele momento, você se sente pleno, completo e livre.

Para saber o que é felicidade mesmo, muitas vezes vamos provar de gostos amargos e ácidos até encontrar um sabor que combina com a gente. Até lá, não TEMOS QUE fazer porcaria nenhuma, apenas viver. Viver é saber desfrutar os momentos, sejam eles quais forem: ruins, bons, ciladas, piadas, romances, tombos, pulos.

Também não precisamos nos pressionar e exigir tanto de nós mesmos. Afinal, será que é isso que eu quero? Bem lá no fundo? Sei lá. Não tem problema ter todas as certezas da vida. É bom se perder em si mesmo de vez em quando, parar e perguntar os mistérios do universo para nossa alma e também encontrar, desencontrar ou reencontrar novos sonhos.

O que TEMOS que ser é: nós mesmos.

ReproduçãoSe você não for autêntico com os outros e sincero consigo mesmo, não vai encontrar nada de verdadeiro na vida. Nem alegria, nem amor, nem dinheiro.

Se você fica encarando a felicidade dos outros e pensa “Ai, só eu estou na merda!”, engana-se. Todo mundo tem problemas. Alguns simplesmente ignoram e editam a vida no photoshop. Felicidade não precisa de efeito nem confeito. A felicidade está nas coisas mais simples, já dizia a vovó.

Hoje em dia, a maioria das tecnologias (TV, câmeras, celulares, etc) são touchscreen. O mundo em apenas um toque. Só que os seres humanos estão tocando em máquinas e deixando de tocar em pessoas. E sendo assim, a falta de calor humano – não só abraço e beijos, mas o simples ato de tocar – deixa as relações artificiais. A primeira ligação emocional de uma criança é construída a partir do contato físico com os pais, mas estamos perdendo o elo com nossas emoções humanos pela falta de tato. (Aliás, uma pesquisadora americana chamada Tiffany Field diz que se as pessoas se tocassem mais, a criminalidade diminuiria.) E ainda, cada vez mais o conteúdo de uma conversa básica fica absurdamente na superfície – além de não mergulharmos em nós mesmos, não mergulhamos em relacionamentos – seja com um amigo, namorado ou a própria família.

É o eterno Oi tudo bem, tudo e você – tudo ótimo. Ou o vamos combinar, claro vamos combinar. E nunca combinam nada porque há uma necessidade em… nada. Precisamos de diálogos e contatos vazios para tentar preencher o oco de nossas almas desesperadas, caladas e negligenciadas.

E aí as pessoas acabam não tendo mais amizades significativas nem intimidade (não estou falando de nada sexual aqui, ok?).

Como vamos ser felizes assim? E que pessoa feliz consegue ser bem sucedida na carreira e em todos os aspectos da vida? Estamos enclausurados em nós mesmos. E se continuarmos assim, morreremos sufocados. E também não dá para ser feliz sozinho. A felicidade só é real quando compartilhada.

Vejo vultos transtornados juntando migalhas de felicidade. Um tiquinho ali, mais um pouquinho ali, abrindo um pouco mais o sorriso, isso, aí, tá perfeito. Agora tira uma foto.

Lembro quando fotografias realmente deixavam que um momento se tornasse imortal. Agora todos os momentos são completamente banais. Além de forçados. E é exatamente essa obrigação invisível e persistente e burra de sermos felizes que nos faz completamente infelizes.

A felicidade precisa ser livre. Sem exigências, sem regras, sem mimimi e nhe nhe nhe.

Seja feliz se quiser

10 coisas importantes que eu aprendi viajando

1) Tempo não é dinheiro

Claro, quando você está viajando não pode perder tempo, porque perde dinheiro. Aquela grana toda que você investiu na passagem, seguro, euro, libra, dólar, peso. Fora a hospedagem e a fatura do cartão de crédito. Mas quando você chega no seu destino, não há dinheiro que pague. Todo aquele tempo economizando, esperando, aguardando, cheio de ansiedade é deixado pra trás. E tudo o que você experienciou na viagem, as pessoas que conheceu, o mergulho na culturas, as ruas erradas que entrou mas que descobriu uma loja incrível, os becos sem saída – vão valer cada centavo do juros do cheque especial. Minutos tornarão-se momentos e logo memórias inesquecíveis.

2)  Dizer menos NÃO

Eu não me achava uma pessoa resistente até descobrir que eu poderia ser muito mais aberta às oportunidades que o universo nos dá. Parece brega, mas é verdade. Primeiro de tudo, qual a chance de você estar no mesmo lugar de novo? Não estou falando nem pelo preço da passagem ou a jornada de 10, 12 horas de voo. Mas aquele exato segundo pode ser a única chance que você vai ter, então é melhor não deixar nada pra amanhã. Sabe como é, vai que…, né?
E todos os meus SIM me trouxeram coisas realmente extraordinárias durante minhas viagens. E trago isso como bagagem de mão durante meu dia a dia também.

3) Ser brasileiro é too cool for school e o Brasil é o melhor lugar do mundo

Faz um tempo que turista brasileiro era turista meio bandido. Xenofobia, bullying contra os brazucas. Mas agora temos o poder do consumo, então todo mundo trata a gente bem melhor, que nem Rainha. E mesmo que não seja pra comprar nada, o mundo ama o Brasil. A gente é alegre, hospitaleiro, simpático e mais humano. Não tem povo mais maneiro do que nós.
E isso me fez pensar que nosso país não é tão ruim assim. Falamos mal, mas no fundo sabemos que é o melhor lugar pra se viver e que a comida aqui é incomparável. Mesmo com os defeitos, impostos, corrupção, violência, pessoas mal educadas, péssima condições de saúde, educação e transporte, entre outras coisas terríveis; o Brasil ainda tem ziriguidum.
E a gente ama essa merda, hahaha. E com orgulho.

4) Autoconfiança

Viajar sozinho é outra coisa.
Eu tinha essa auto estima meio baixa.
Mas eu reparei que é bem coisa de brasileiro, a gente tem isso de não acreditar muito no potencial, de achar que a grama do vizinho é sempre mais verde. Parece até que temos medo de conseguir que dê certo.

Mas é o que temos para hoje. Falar com estranhos, sair com amigos que você conheceu nos últimos 15 minutos, arriscar o idioma local, chegar a tempo do trem, carregar sua mala na escada do metrô, convencer a imigração que você não é um terrorista, se aventurar e se perder faz com que nós tenhamos mais fé em nós mesmos. Coloca a gente em situações extremas, desafia nosso corpo e alma e no final do dia, somos pessoas melhores porque acreditamos que conseguiríamos e conseguimos atravessar oceanos e montanhas.

5) Leve menos roupa e mais dinheiro

Pode parecer óbvio, afinal todo livro e revista de turismo dá essa dica. Mas mesmo tirando metade do que pretendo levar de roupas, às vezes levo até menos, não sobra espaço na mala depois. E sem falsa modéstia, mas eu sou craque em arrumar mala. Só não tão craque em me conter e não comprar. Portanto, leve o dobro do dinheiro que você pensou em levar. Sempre tem aqueles imprevistos e aquelas lembrançinhas.

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6) Planejar e Improvisar

Outra coisa que é sempre bom planejar é o roteiro. Se organizar é a melhor coisa e evita transtornos. Mas caso acontece imprevistos, é bom ter um plano B ou pensar rápido e improvisar. Lembre-se que assim você não perde tempo nem a cabeça.

E caso você exceda a franquia de bagagem, vai ter que se virar nos trinta.
Eu já tive que jogar blusa de lã no lixo. I regret nothing.

7) Ter menos medo e menos preguiça

Não é só enfrentando o medo que a gente se livra dele. Temos que matá-lo. Nem que seja um inseto nojento. Aniquile esse medo de seja-o-que-for. O medo trava a gente, bloqueia, atrai energia negativa e pior, afasta oportunidades (Lembra do item 2?). O medo diz não à vida. Aliás, ter preguiça, querer ficar sentando em hotel porque tá cansadinho ou dormir até o meio dia, é perda de dinheiro e tempo. Esqueça que você está cansado. Durma no Brasil, meu filho.

Todo mundo tem medo do desconhecido, de fazer loucuras. Ou preguiça mesmo disso tudo. Em viagem, ninguém tem orgulho. Se não der certo, pelo menos você tentou. Mesmo de volta pro Brasil, às vezes eu tinha preguiça 1) porque tá muito calor 2)porque tá chovendo 3)porque eu não to muito afim de ir. Mas acaba que agora eu vou. Eu simplesmente vou onde o vento me chama pra ir. No fim, não me arrependo porque meu dia acaba se tornando muito melhor e mais produtivo. Parece que quando você se mostra mais disposto pro mundo, o mundo sorri de volta e fica mais disposto e abundante com você.

Ter menos medo e menos preguiça das coisas é ter mais coragem de viver as coisas boas que a vida oferece.

8) Dar mais valor à vida

Se a gente já dava valor a nossa vida antes, depois que começamos a viajar pelo mundo vamos valorizar ainda mais. Primeiro, pela nossa saúde. Por ter pernas pra caminhar por horas, olhos para poder enxergar o fantástico à nossa frente. Por ter a oportunidade não só de viajar, mas de ter uma vida razoavelmente boa num país como o Brasil. Na África, por exemplo, não só há escassez de água e alimentos, mas de vida. Não apenas pela baixa expectativa, mas porque não há fartura de nada, nem de ter o que fazer. Aliás, nem precisa ir tão longe. Muitas cidades brasileiras são pobres, infelizmente. E outras não são pobres, mas são um tédio. E por isso os habitantes possuem poucas perspectivas de vida, planos, sonhos. Sempre o mesmo do mesmo.  Por isso, somos privilegiados e além de dar mais valor ao que temos, seja pouco ou seja muito, é de extrema importância nos sentirmos gratos. A gratidão é um dos melhores feelings que existe. Você já reparou que a sensação de agradecer é muito melhor do que a de pedir?

9) Viajar não é turismo, é um estilo de vida.

Não precisa ser mochileiro ou pé sujo pra adquirir esse estilo de vida, não. Não importa se você fica em hostel ou hotel cinco estrelas. O que importa é o quão aberto pra uma nova cultura você está. Cada país tem seu cheiro, suas texturas, suas maneiras de viver, suas regras, suas manias, sua língua, seus personagens. Experimente tudo isso, experimente o mundo, experimente a vida.

10) Viajar é bom, mas voltar pra casa é melhor ainda

Lar doce lar. Nada melhor do que papai, mamãe, os amigos da infância, seu travesseiro, seu banheiro, suas panelas, seu bairro, seu vizinho esquisito, apertar seu cachorro nazista, cozinha e suco de maracujá.

E nada como já começar a planejar a próxima viagem.