Por que Jane Austen é a melhor escritora de todos os tempos

Esse post faz parte da categoria Chá com Amigues, textos publicados por amigos e parceiros do blog. 

Publicado originalmente em Rotinas Literárias por Hamíreths Costa

Nossa Mika, mas você só fala de Jane Austen!

Amiguinha, como não falar? Jane Austen não era apenas excepcional, ela era brilhante e sarcástica (parece até que estou me descrevendo xD). Mas falando sério, como uma escritora que após 200 anos da sua morte ainda desperta interesse em pleno século XXI? Essa é a pergunta que tem que ser feita. Acredito que se Jane não tivesse sido importante na literatura mundial, hoje ela não seria objeto de estudos e resenhas. Ela continua mais viva hoje do que quando era viva de fato. Por que ela não conseguiu ser grande ainda em vida? eu respondo: puritanismo e sociedade. Sabemos que o mundo de hoje está longe de ser perfeito, mas a mente humana evoluiu (muitas vezes para pior), mas não sejamos hipócritas, pois não é disso que se trata esse texto. A mentalidade de hoje é diferente do que foi no século XIX, é óbvio. O que antes era considerado impróprio, hoje é totalmente liberado. Não que ainda não exista, mas é bem pequeno o número de livros proibidos, hoje somos todos por conta própria, donos do nosso nariz. Mas, por que estou falando isso? para continuar a falar da Jane Austen. Por que não foi famosa em vida? Porque sua sociedade era medíocre.

Hoje, com toda nossa liberdade, podemos estudar sobre seus textos e com isso nos aprofundar na sua genialidade. Jane Austen tinha a ponta da pena afiada, sabia ser satírica sem que os outros percebessem, era como se estivesse um patamar acima de inteligência.

Ela enchia seus romances com pessoas, lugares e eventos comuns, o que era novidade naquela época, já que ninguém o fazia, talvez por isso o interesse por seus livros era pequeno, já que bem nesse período sofria um boom no número de pessoas de classe média que usava a leitura como forma de entretenimento, e eles não queriam ler sobre uma realidade que era estranha a eles. E como livros novos eram bem caros, pessoas mais humildes não conseguiam tê-los (os poucos que sabiam ler, pelo menos).

Jane Austen gostava muito de livros góticos (sim, surpresa!!!), como uma pessoa que escreveu aqueles romances gostava de ler livros sombrios? Pois é, isso você não esperava né? Livros góticos naquela época não eram livros muito populares, costumavam ser encontrados nas prateleiras mais escondidas das bibliotecas, mas eram esses que Jane procurava. Em A Abadia de Northanger (chamo de ‘a vadia de northanger’ xD ) temos um pouco de ideia, pois o livro faz várias referências a The Mysteries of Udolpho, um livro publicado em 1794, da Ann Radcliffe. O romance conta a história de Emily St Aubert, que é presa por seu tio perverso em um castelo italiano, onde sofre inúmeros terrores antes de fugir. Mas isso não quer dizer que ela adorava tudo que lia, ela era bastante crítica com alguns exageros que lia nesse tipo de narrativa, chegou inclusive a escrever um pequeno livro bem satírico sobre como não escrever um romance, o livro só foi publicado em 1926 e chama Plan of a Novel, according to Hints from Various Quarters, nesse livreto, temos o relato mais importante para entender quais eram seus objetivos e capacidade como romancista. Ela foi bastante crítica, usando não somente os livros góticos, mas também os best-sellers da época como exemplo, principalmente na parte de exagero no romance. Estão vendo só? Ela não gostava de coisa melosa, nossa Jane.

Voltando às pessoas comuns em seus romances, os seus leitores perceberam que ela estava fazendo algo inovador, usando seu talento para descrever realidades mais prováveis e tipos de pessoas que nos eram mais familiarizadas. Normalmente, se você prestar atenção, suas histórias são sempre ambientadas ao sul da Inglaterra, nos campos, lugares que Jane conhecia bem. O enredo de seus romances são bem básicos, e as aventuras de suas heroínas são comuns aos seus leitores: preparativos para um baile, viagem ao litoral, piquenique etc (sempre que escrever etc vou lembrar de Hedwig em Fragmentado haha). Jane Austen usou a ficção para descrever a realidade social dentro da sua própria época e classe social (a nobreza e classe social em ascensão do sul da Inglaterra no início do século XIX). Ao fazê-lo, ela conseguiu apresentar algo mais próximo da moral real ao descrever a variedade de relações humanas que todos nós provavelmente encontraremos na vida comum. Suas personagens são representadas por coisas do tipo: o comportamento de pais para com seus filhos, os perigos e os prazeres de se apaixonar, fazer novos amigos, relacionamento com nossos vizinhos e, acima de tudo, saber discriminar entre aqueles que nos fazem bem e aqueles que nos fazem mal.

O realismo de Jane Austen também inclui o entendimento que a vida das mulheres no começo do século XIX é limitada a oportunidades, ainda mais dentro da nobreza e a classe alta. Ela entende que o casamento é o melhor caminho para a segurança financeira e respeito social da mulher. Os eventos cruciais (a maioria deles) que vemos nas suas histórias normalmente acontecem dentro de casa, no espaço reservado para as mulheres. Seu enredo decorre muito de conversas ouvidas atrás de portas, ela escreve conversações de uma das formas mais naturais e realistas da literatura. Rumores é algo bem consistente nos seus romances, eles têm grande importância no sistema leva-e-trás, como se fosse o principal canal de transmissão de notícias, e nos seus vilarejos menores (olha o pleonasmo), todo mundo é considerado um fofoqueiro.

2077367978Dizer que Jane Austen era uma escritora realista não é bem o mesmo que dizer que ela descreve a sociedade como ela realmente é. Seus livros são também comédias românticas, pois não foge daquela linha de que o amor e a sorte sempre vencem, e o futuro das personagens é brilhante e os jovens casais vivem felizes para sempre. Walter Scott, aquele escritor escocês autor de Ivanhoe, foi um crítico de Jane Austen, pode não parecer, mas ele amava os livros dela. Dez anos após a morte de Jane ele releu Orgulho & Preconceito, quais foram as suas impressões? cito abaixo:

Reli pela terceira vez, pelo menos, o romance muito bem escrito Orgulho & Preconceito da senhorita Jane Austen. Essa jovem tinha um talento para descrever os envolvimentos, sentimentos e personagens da vida comum, e é para mim o mais maravilhoso que já vi […] que pena que uma criatura tão talentosa morreu tão cedo.

O realismo é um método literário que rejeita o escapismo e a extravagância para produzir uma ilusão realista e não uma tradução direta da realidade.

Voltamos à pergunta desse post, por que Jane Austen é a melhor escritora de todos os tempos? Bom, espero ter respondido com o texto acima 🙂

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s