Londres, uma das cidades mais solitárias do mundo

Mais de um quarto dos londrinos dizem que se sentem solitários muitas vezes ou o tempo todo, de acordo com uma pesquisa encomendada a alguns anos atrás pela BBC.

Isso ainda não mudou até hoje, uma nova pesquisa realizada em 2017 pela Time Out mostra que 55% dos londrinos se sentem solitários. Quando se tratava de conhecer novas pessoas, apenas 7% dos londrinos concordaram fortemente que a cidade era um bom lugar para fazer novos amigos, e apenas 4% achavam fácil encontrar o amor aqui.

Então, o que faz de Londres um lugar tão complicado para fazer novas conexões sociais? Entre a complexidade das razões, algumas se destacaram. De acordo com a pesquisa, os habitantes da cidade são pelo menos 25 por cento menos propensos a conversar com um estranho do que as pessoas de Chicago, por exemplo.

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Vale considerar que Londres é uma metrópole que recebe gente do mundo todo. Por ser uma cidade que transita constantemente nesse quesito, muitos ainda não estabeleceram uma nova rede de amigos. Os próprios britânicos dizem que “de um modo geral, eles são mais reservados do que algumas outras nacionalidades” e é preciso mais tempo para construir amizades. Além disso, pessoas chegam e vão. Londres abriga imigrantes que acabam voltando para seu país de origem após finalizar um curso ou contrato de trabalho. Os locais também decidem em se mudar, às vezes para fora ou mais ao norte em casas maiores com seus recém-nascidos. Alguns deixam a cidade simplesmente porque se cansaram de Londres.

Das pessoas que viveram em Londres por menos de cinco anos, dois terços sentem-se solitários às vezes enquanto que os que viveram aqui por mais tempo cai para 44 por cento. A pesquisa também apontou que os sentimentos de solidão diminuem com a idade. Menores de 24 anos pertecem ao grupo mais isolado com 66% sentindo-se solitário contra 26% dos maiores de 45 anos. O NHS – sistema de saúde pública do Reino Unido – alerta também que a falta de luz solar pode causar depressão. Quanto menor a exposição solar durante os meses de inverno, mais provável a chance de desenvolver transtorno afetivo sazonal (SAD). Os sintomas do SAD podem ser extremos: mudanças de humor, ansiedade, problemas de sono ou mesmo pensamentos suicidas. Por isso, aconselham até a considerar ver o seu médico caso apresente sinais da “depressão de inverno”.

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Acredite se quiser, mas os londrinos confessam que algumas vezes passam dias sem falar com ninguém, mesmo se saírem de casa. Hoje em dia, os supermercados – até mesmo estações e lojas – possuem máquinas automáticas para escanear e pagar os produtos e não é preciso trocar nenhuma palavra com os atendentes. E apesar de ser comum em dividir casas e apartamentos com mais duas ou cinco pessoas, alguns prezam pela privacidade e acabam se enclausurando em seus quartos alugados. Há muitos que criticam essa estrutura da cidade e crêem que “Londres é a essência da cidade individualista, onde todos estão sozinhos”.

Outra razão que pode influenciar é que há muitas panelinhas fechadas por aqui. Nós humanos nos identificamos com certos grupos de pessoas e por isso é mais fácil “entrar” para o clube. Não é via de regra, mas também não é difícil ver “panelinhas de nacionalidade”, chineses com chineses, italianos andando só com italianos (eles mesmos vivem reclamando disso, pois querem conhecer outras pessoas para poder praticar o inglês, isso acontece com brasileiros também). É bom sair da zona de conforto e não ter medo de conhecer o “estranho”. Viver numa cultura que não é muito latina e cheia de ziriguidum pode ser um choque. Os brasileiros em geral interagem mais. Sabe quando você vai numa festa e não conhece ninguém, mas sua amiga fala, “olha essa é a fulana” e depois você sai best friend forever dela? Isso aqui até acontece, mas haja bons drink para potencializar o rolê… Alguns londrinos precisam de muito álcool para criar coragem e se socializar, ser amigável ou mostrar interesse romântico.

Evicka Chang que assim como vários outros imigrantes sofreram um pouquinho ao se mudarem para Londres, confessa que “Quando o seu círculo de amigos é limitado e os fusos horários impedem que você ligue para casa, há dias em que a solidão é a única opção”. Num post sobre o que ela aprendeu quando morou aqui, ela também diz algo tão verdadeiro: “Você se cansa de pessoas que desejam falar sobre seu sotaque e nacionalidade. No começo, você se sente exótico. Todo mundo quer ouvir você dizer coisas diferentes. (…) Isso fica velho realmente rápido. Você nunca saberá como responder a essas perguntas.“. E assim você cansa de fazer novos amigos. Toda vez que conhece uma pessoa nova tem que responder perguntinhas idiotas ou cheias de esteriótipos. Quem é do Brasil sabe bem como é.

Eu precisei fazer esse “meme”.

Depressão e solidão não são sentimentos exclusivos para quem mora em Londres. Atualmente, muitas pessoas enfrentam dificuldade em criar conexões ou apresentar qualquer interesse por relações humanas.

Mas adaptar-se à um país e costumes diferentes pode deixar tudo mais difícil. O que parecia mais simples no Brasil, aqui pode ser mais complicado – e vice-versa. Estamos todos sozinhos numa multidão sem face. Mas não desista. Comece um esporte. Vá à um happy hour. Use toda oportunidade que tiver para conhecer pessoas e colocar sua cara pra fora na janelinha. Aventure-se em eventos sociais do CouchSurfing ou Meetup. É basicamente com esses sites que boa parte dos novos habitantes de Londres conseguem conhecer novas pessoas e construir amizades. Londres pode ser uma cidade realmente incrível, só depende de você e claro, alguns amigos doidos. Não deixe que essas estatísticas tornem-se a sua realidade.

Foto da capa:  Greg Krycinski

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