Como o Reino Unido financia o terrorismo

Cerca de 2/3 das armas do Reino Unido foram vendidas para países do Oriente Médio desde 2010, a maioria das armas alimentam conflitos no zona. Nos últimos 10 anos, o RU vendeu mais armas do que a Rússia e a China, ficando apenas atrás dos Estados Unidos. 
Segundo a reportagem de Jon Stone no jornal The Independent, o governo britânico ignorou pedidos tanto do Parlamento Europeu e como do Comitê de Desenvolvimento Internacional da Câmara dos Comuns pela suspensão das exportações de armas. O Reino Unido negociou armamento (bombas, mísseis e jatos de combate) diversas vezes com a Arábia Saudita, país acusado por órgãos da ONU de cometer crimes de guerra. A Arábia Saudita é um dos países mais repressivos do mundo, mulheres são proibidas de dirigir e pessoas que criticam o governo são presas ou torturadas. Ainda, a coalizão saudita bombardeou vários hospitais internacionais administrados pela Fundação Médicos Sem Fronteiras, escolas e até casamento no Iêmen. Na lista de “clientes” ainda estão Israel, que comprou componentes de drone e equipamentos de alvos, Bahrain que adquiriu metralhadoras, Maldivas que recebeu rifles de assalto e pistolas e o Turcomenistão que obeteve armas e munições.

Andrew Smith, que faz campanha contra o Comércio de Armas disse à reportagem do The Independent que esses fatos “expõem a hipocrisia na política externa do Reino Unido. O governo sempre nos diz que atua para promover os direitos humanos e a democracia, mas está armando e apoiando alguns dos regimes mais repressivos do mundo. O impacto das vendas de armas no Reino Unido é claro no Iêmen, onde jatos e bombas britânicas foram centrais para a destruição liderada por organizações da Arábia Saudita”. Segundo Andrew, os regimes autoritários como esse não estão apenas compram armas, “eles também estão comprando apoio político e legitimidade”. Para ele, parece pouco provável que o Reino Unido aja as contra violações dos direitos humanos nesses países, afinal está lucrando com as guerras. A indústria militar é importante para a economia britânica e rende cerca de £ 7,7 bilhões por ano. Bilhões são investidos pela Arábia Saudita em Londres, principalmente no mercado imobiliário. Aliás, muitas mansões e apartamentos nem chegam a ser ocupados, o que influencia a dificuldade dos londrinos em acharem um lar (você pode ler mais sobre esse assunto aqui).

O inquérito do governo sobre o papel do dinheiro saudita no financiamento do terrorismo provavelmente será arquivado, devido à natureza de suas descobertas. O relatório foi originalmente encomendado a pedido dos democratas liberais, em 2015. Foi então sancionado pelo primeiro-ministro David Cameron em troca do apoio parlamentar aos ataques aéreos britânicos na Síria. 18 meses depois, o governo confirmou que o relatório ainda não foi concluído e disse que não seria necessariamente publicado, alegando que o conteúdo  é “muito sensível”.

Tom Brake, porta-voz das Relações Exteriores do partido Liberal Democrata escreveu uma carta dirigida à Theresa May: “Não é um segredo que a Arábia Saudita fornece financiamento para centenas de mesquitas no Reino Unido, defendendo uma interpretação wahhabista muito dura do Islã. Muitas vezes, nessas instituições, o extremismo britânico se enraíza”. No começo do ano, a atual Primeira-Ministra visitou a Arábia Saudita, fonte de financiamento para pregadores e mesquitas islâmicas fundamentalistas. Nos últimos anos, várias mesquitas foram construídas no Ocidente como forma de promover sua interpretação ultra-conservadora e puritana do Islã.

Em seu artigo no site SputnikNews, John Wight diz que está claro que “a aliança de longa data da Grã-Bretanha com a Arábia Saudita não beneficia ninguém além das empresas de armas do Reino Unido e seus acionistas. É inegavelmente uma aliança hostil à segurança do país, destrançando todo o seu establishment político”.

Em apenas três meses, a Inglaterra sofreu três ataques terroristas deixando vários mortos e feridos. Após o ataque em London Bridge, a PM Theresa May prometeu um basta e vai “intensificar a luta contra o terrorismo islâmico”. A pergunta é:  por que cortar a venda de armas? Ou por que não fez isso antes? Ah! Mas essa promessa chegou alguns dias antes das eleições.

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