Por que milhares de pessoas ainda dormem nas ruas de Londres

Nos últimos cinco anos, a população em situação de rua no Brasil aumentou 10%. Até 2012, de acordo com o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase dois milhões de pessoas moram nas ruas. Em São Paulo, o IBGE de 2015 contou mais de 16 mil pessoas na mesma situação, um problema comum que afeta grandes cidades ao redor do mundo.

Em Londres, na Inglaterra, os números caem pela metade em comparação com a capital paulista, mas as causas que levam as pessoas às ruas são bem parecidas: desemprego, pobreza extrema, violência doméstica, saúde mental. Imigrantes, refugiados e asilados políticos possuem risco maior de ficar sem moradia.

Reprodução/Andrew Stawarz

Conforme dados da ONG Shelter, são mais de 250 mil moradores de ruas na Inglaterra. Londres é a cidade com a taxa mais alta de moradores de rua. Westminster, centro de Londres e área extremamente turística, pode parecer uma grande surpresa que a cada 25 habitantes, um não tem um lar. O segundo bairro mais afetado é Newham, um a cada 27. Luton, Brighton, Birmingham, Coventry, Manchester são algumas das cidades mais afetadas depois da capital inglesa.

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Entre 2015 e 2016, dados da ONG Crisis revelam que houve 114,790 pedidos de assistência em moradia, um aumento de 11% em relação a 2010 e 2011. Autoridades locais não são obrigadas a fornecer moradia às pessoas desabrigadas, mas possuem o dever de ajudá-las. Porém, muitos moradores de rua não seguem os critérios para serem legalmente reconhecidos como desabrigados, pois não possuem dependentes, filhos ou não são considerados vulneráveis. Os moradores de rua “solteiros” como são chamados, acabam tornando-se invisíveis aos olhos do governo e da sociedade. À eles, resta voltar a dormir nas ruas ou em squats – locais que podem ser inseguros e superlotados. Os squatters ocupam prédios, casas, galpões ou lojas abandonadas que acabam se tornando uma espécie de cortiço e algumas vezes um centro comunitário. No desespero, eles acabam invadindo mansões em desuso, inclusive mansões adquiridas por oligarcas russos. O número de casas vazias em Londres – incluindo mansões que custam milhões de libras – é grande, assim como o número de pessoas dormindo em condições desumanas nas ruas. Uma pesquisa feita ano passado pelo jornal The Guardian consta que 22 mil residências em Londres estavam inabitadas pelos seus donos por mais de seis meses – dessas 8,561 estão sem residentes por mais de dois anos e 1,151 não possuem um morador por mais de uma década. Os squatters afirmam que apenas querem um abrigo, um teto sob suas cabeças e que sua ocupação dá mais atenção à injustiça.

Reprodução/Chris Marchant

A crise de habitação ainda causa os chamados “desabrigados escondidos”, isto é, eles têm um teto sob suas cabeças, mas vivem em locais precários e superlotados. Até 2015, a estimativa era mais de dois milhões de lares “escondidos” na Inglaterra.

A raiz do problema é, segundo as autoridades locais, a escassez aguda de oferta de habitação a preços acessíveis, aliada às restrições de bem-estar – fatores-chave, especialmente em Londres. Conforme as autoridades relataram à ONG Crisis, outra preocupação fundamental é a redução acentuada do apoio à habitação. Entre os anos de 2010 e 2011, 2015 e 2016, o financiamento do programa People Supporting People sofreu uma redução de 56%.

Enquanto não houver maior acesso à moradias mais acessíveis, milhares continuarão desabrigados ou prestes à enfrentar as ruas frias de Londres devido a dificuldade de pagar o aluguel.  Leia sobre a crise de habitação aqui.

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