Corações afogados

Muita gente sabe já que a Europa não é muito fã de imigrantes, em especial aqueles que vêm de países mais pobres. O ditado nacional é que “imigrantes roubam emprego de nativos”. Ontem mesmo vi o comentário de mulher dizendo que há tempos não escuta uma camareira falar em inglês de verdade. Querida, você quer que eu te indique para um emprego de camareira? Não, né? Porque os europeus não querem “empreguinhos”, mas adoram se vitimizar dizendo que estrangeiros invadiram seu país e estão destruindo sua cultura. Como se eles super inocentes e nunca fizeram nada de ruim contra nenhum país.

A imigração é uma coisa natural do mundo. Como encaram isso que não é natural. Uma colunista ridícula e imbecil do tabloide The Sun, Katie Hopkins, disse que não se importa em ver os corpos daqueles que morreram na travessia entre África e o continente europeu. Mas isso nem é uma das piores coisas que se ouve por aí.

Existia uma antipatia e uma falta de compaixão por aqueles que sofrem e até acabam morrendo numa aventura caótica em busca de uma terra que lhe dê esperanças ou ao menos uma migalha de pão. No último final de semana, um barco com cerca de 700 imigrantes virou na ilha de Lampedusa, na Itália. Alguns dias antes, 400 outros haviam de afogado perto da costa da Líbia. De acordo com informações do The Guardian, quem faz essa travessia entre continentes são “traficantes impiedosos”, que pouco se importam se seu barco voltará ou não. Os traficantes cobram uma boa quantia pela “passagem” e podem ter até 6000% de lucro. A embarcação não possui tripulação e fica boiando até “alguém” buscá-la. Muitos imigrantes ficam trancados no convés sem permissão de sair. Nada tão diferente do modo como funcionava a escravidão.

A Europa lava as mãos. Políticos se reúnem, conversam, mas não fazem nada que realmente seja eficiente. “O que está acontecendo agora tem proporções épicas. Se a Europa e a comunidade internacional continuar a fazer vista grossa…seremos todos julgados da mesma maneira que a história julgou a Europa quando ela fez vista grossa ao genocídio deste e do século passado”, disse o primeiro ministro de Malta, Joseph Muscat, disse à BBC. As autoridades europeias temem que se eles resgatarem os imigrantes ou fiscalizarem melhor as embarcações será um incentivo para mais pessoas buscarem uma vida melhor no continente. A União Europeia finalizou as operações de patrulhamento designado especificamente para o socorro a embarcações ilegais cruzando o Mediterrâneo. E quando há algum socorro, o investimento é baixo e feito em menor escala.

Em uma reportagem da BBC, o  Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR) relatou que barcos de imigrantes teriam levado 13.500 pessoas em águas italianas somente na última semana. No ano passado, um número recorde de 170 mil imigrantes fez a travessia para chegar à Itália. Milhares morreram na viagem.

Mas são imigrantes em sua grande maioria negros. E pobres. Abandonados à própria sorte, tentando alcançar sua sobrevivência quase fatal. Ninguém se importa porque não é conveniente. E assim, corações de esperançosas almas param de bater e afundam no oceano.

 

 

 

 

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