É… acho que a idade chegou pra mim. O sono e a meia-noite se aproximam, e quando o sol aumenta a distância entre eles.  Agora me levanto junto a luz dourada. É… e hoje eu vou trabalhar enquanto eles, os noturnos, vão se deitar e ter sonhos descansados.

Não me queixo, não. Efemeridade dos momentos, da música, do dinheiro, da maquiagem. Tudo acaba. E acabou. É… acho que acabou pra mim.

Naquela multidão dançante, sorridente demais, me sinto perdida. Estou sempre à procura do que jamais vou encontrar, onde quer que eu vá.  É tudo tão falso. E eu… eu acreditei um dia. Mas como podemos ser felizes assim? É essa a felicidade? Oh, não. Eu sei que não. Sei porque eu vivi essa felicidade, provei do seu gosto e vi que era veneno.

A minha solidão é uma benção venenosa. Onde estou, estou só, ou pior… estou comigo. E se estou comigo, não estou sozinha, meus pensamentos me perseguem. E o que penso, sinto, o que sinto, penso.

É vida mesmo… isso ou aquilo? Explorar a noite e superestimá-la? Ou esnobá-la e ficar sã no meu próprio embalo? Socializar-me para ser parte de um mundo ou criar o meu universo particular?

Mas o que é vida, meu Deus? Tantos dizem que devo aproveitá-la fazendo isso ou aquilo. Apreciar a companhia de outros, e apreciar o meu eu por si só. Dá para ser solitária e requisitada ao mesmo tempo? Como faço? O que faço?

Contam tanto que a vida é agora, que este momento não volta, que o presente deve ser vivido intensamente, o trem corre desesperadamente apara chegar a na hora. E aconselham que sou jovem, que a vida é longa, há muito tempo ainda, experiências e dádivas que a espreita, o relógio espera, o destino guarda e me aguarda. Que dilemas absurdos! Querem me enlouquecer…

Não me queixo, não.

Apenas me preocupo com a aprovação e a opinião de uma única pessoa. Aquela que serei no entardercer da vida, tão próxima da morte que posso ouvir sua voz suave. O que ela vai pensar de mim? Vai gostar? Vai me dizer em relação ao que fiz, como fiz com a vida inteira dela “Parabéns!” ou “Que merda!”? Saberei então se fiz certo, se fiz errado ou se fiz bem, se vivi?

É… acho que tenho que viver pra mim. Um embalo dividido e armazenado aos poucos, e bastantes deles.

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