Um final imprevisível

Fotógrafa canadense mostra princesas depois do Era Uma Vez…

E viveram felizes para sempre. Esta é normalmente a última frase de livros de contos de fadas e até de filmes ( inspirados nestes clássicos romances) que fizeram e ainda fazem centenas de meninas inocentes acreditarem ( e suspirarem) lealmente num desfecho perfeito. Sem conflito, sem angústia, sem guerra, sem ressentimentos até que a morte a separe de seu grande amor.

Inspirada nessas histórias de princesa, a fotógrafa canadense Dina Goldstein decidiu (re)criar as continuações de algumas delas. Através da série de fotos chamada Fallen Princesses (do inglês, Princesas Arruinadas), Dina monta  contos de fadas contemporâneos, ligados aos complexos desafios da vida real, como doenças, vícios ou questões relacionadas à autoimagem. A Realidade, expulsa há séculos do seu reinado, chega com verdades contaminadas, devorarando suas ideias, seus desejos, sonhos, planos.

Veja o que aconteceu com as princesas a seguir:

Bela cansou-se da feiura de Fera e casou-se com um cirurgião

Cinderella virou alcoolátra

A Bela Adormecida no asilo

Para ver as outras fotos acesse www.fallenprincesses.com

Felizes para sempre existem sim. Mas o grande problema é que  as pessoas criam expectativas. Culpamos as bruxas e madrastas más enquanto é nossa culpa. Nós que temos que construir nossos próprios reinos e decidir nossos próprios finais.  Temos que nos apaixonar por nós, porque nós nos tornamos quem somos. Por que ainda tantas mulheres acreditam que precisam ser salvas por um príncipe?  Quando perceberão que estão sedentas de amor-próprio? Por que elas se submetem a situações para que sejam aceitam como são, a homens que as desvalorizam, se importam tanto com a aparência? Vão esperar que com o tempo seu reinado se transforme numa gaiola, numa prisão? Nunca irão sair do lugar e daí seu mundo vai se desmanchar, desalinhar… E vai parecer que ele nunca existiu, porque elas nunca realmente habitaram a vida.

Shakespeare quando escreveu Romeu e Julieta, produziu o melhor romance da História. Não há como imaginarmos o que aconteceu com o casal, não há final feliz. O amor foi o fim. Amor é o fim, o fim de tudo. É feliz para sempre. Achamos que o amor é o fim porque na verdade é o começo da vida. Quando vamos alcançar a plenitude, essa que passamos tanto tempo procurando em lugares improváveis, que buscamos em cada segundo, e que depois de tantas dores, de tanto sofrer, finalmente conseguimos, conquistamos, vencemos, ganhamos. Chega o fim, o amor. Mas do outro lado, não, o amor não é o fim. Não há amor do outro lado, há luto. Suicidamos-nos porque desistimos centenas de vezes e morremos por dentro milhares de vezes ao não sorrir mais, ao não amar mais. Escondemos-nos em uma escuridão invisível. Quando chegamos no fim da linha, voltamos à realidade e temos medo de recomeçar outra relação, de se machucar de novo. O recomeço é mais doloroso do que a inércia. Vamos ficar no escuro até o fim real. Vamos afundar sozinhos, não teremos nada além de nossa pele. No fim, vamos ver que eram apenas quebra cabeças, seria complicado, mas divertido e gratificante, valeria a pena. Mas já estamos no fim do lado real.
O amor foi um beijo mortal. E nós nos deixamos morrer.

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